Oportunidade estratégica: mercado brasileiro atrai nova leva de montadoras chinesas
Com o grande potencial do mercado brasileiro para a venda de veículos importados, novas marcas, principalmente chinesas, passam a olhar o Brasil e procurar representantes para importar seus carros. A previsão é que três novas chinesas comecem a vender seus veículos ainda este ano: a Great Wall, importada pela CN Auto, que já representa a marcas Hafei Motor e Jinbei, a JAC -Jianghuai Automobile Company, trazida pelo empresário Sérgio Habib, ex-presidente da Citroën, e a BYD-Build Your Dreams , que deve ser importada pelo Grupo Caoa, que já trouxe as marcas Hyundai e Subaru para o País.Mesmo a queda de 13,98% nas vendas de carros importados, em abril frente à março, foi vista como natural e não desanima o setor, que registrou alta de 190% em relação à abril do ano passado e comemora um excelente quadrimestre, até com falta de veículos de várias marcas, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva). A entidade representa 22 marcas, incluindo já sete chinesas: Chana, Chery, Effa Changhe e Effa Hafei (Effa Motors), JAC e Hafei Motor e Jinbei (CN Auto).
Segundo a CN Auto, que trouxe novamente para o Brasil os furgões Topic e Towner, das marcas Hafei e Jinbei, os veículos da nova marca que deve importar, a Great Wall, já estão passando por processo de homologação e a intenção é estrear em outubro, com o Salão do Automóvel de São Paulo. A marca deve começar timidamente, mas há boas perspectivas, como provam as vendas das marcas que o grupo já traz para o Brasil. De janeiro a abril, foram vendidas 744 unidades da Hafei, por exemplo, um crescimento de 150,5% sobre o mesmo período de 2009, quando vendeu 297 carros. A marca foi a chinesa mais vendida em 2009, registrando uma alta de 726,49% sobre 2008, com 1.248 unidades vendidas no País.
Para este ano, Humberto Gandolpho Filho, gerente de Desenvolvimento da CN Auto, já havia afirmado para o DCI que projeta crescimento de cerca de 200%, já que a operação das marcas também é recente no País e ampliarão a sua rede de concessionárias. Hoje, estão com 34 unidades e devem chegar 50 concessionárias. "Somos a maior importadora de veículos chineses hoje e resgatamos mercado no Brasil", afirmou.
Outra marca chinesa que chegou ao Brasil em outubro de 2009 e rapidamente promete alcançar o posto de chinesa mais vendida no País é a Chery, que apesar de operação recente, afirma querer vender 10 mil unidades este ano e tem planos de abrir uma fábrica no País a curto prazo. Segundo o CEO da Chery, no Brasil, Luis Curi, o projeto e estudos de viabilidade já estão em fase final e ainda está sendo definido que peças devem ser fabricadas aqui ou não. "Ninguém pode mais dar às costas para a China. Hoje eles já são o maior mercado automotivo do mundo, todas as grandes marcas estão lá e produzem lá", diz.
Segundo Curi, a Chery estudava o mercado brasileiro há três anos, sendo que o País é um mercado prioritário e a intenção é que seja ainda este ano o seu segundo maior fora a China. Hoje, exportam para Rússia, Egito e Chile.A aposta é ter modelos semelhantes ao de carros europeus e americanos, mas 20% a 30% mais baratos. "Queremos ser uma alternativa, um produto com design europeu e preço competitivo". Este ano, planejam mais quatro lançamentos e no Salão do Automóvel, apresentarão três modelos para começar a ser vendidos em 2011. De janeiro a abril, venderam 720 carros.
Outra importadora de veículos chineses que até reviu as suas expectativas para o ano é a Effa Motors, que iniciou sua operação em maio de 2008. A meta é vender 6.500 veículos até dezembro, o que afirma ser um volume 54% maior ante projeções definidas no início do ano, que era de vender 4.200 carros. Este ano, de janeiro a abril, já vendeu 1.005 carros, mais do que em 2009 inteiro.
José Luis Gandini, presidente da Abeiva e da coreana Kia Motors no Brasil, afirmou acreditar que o País é a "bola da vez" e opção para marcas de outros países, até diante de uma possível crise na Europa. "O Brasil tem tudo para se destacar, muitos países como a Coréia cresceram muito depois de eventos como a Copa do Mundo e vamos aproveitar o crescimento da economia", disse.
Para Sérgio Reze, presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), porém, os produtos chineses ainda precisam provar ao que vieram e "o negócio de automóveis não pode se tornar uma 25 de Março". Para ele, as marcas chinesas precisam procurar operadores que saibam se posicionar no mercado. "Grupos como Itavema e Caoa têm conhecimento. É necessário ter um bom operador, que faça uma rede capilar, seja respeitado, como também é o caso do Sérgio Habib", disse ao divulgar as vendas do setor.
Market share, esse é o espaço que o Brasil possui para que novas empresas se instalem no Brasil. A briga é boa, e a entrada de novos players só demonstra o espaço que o mercado brasileiro possui e também expõe as deficiências que os atuais players não conseguem cobrir. Em breve, carros com milhares de opcionais vão deixar de ser maioria no mercado, é apenas uma questão de tempo e de mistura de culturas de negócios. Acredite e verá.
Abs,
Jony Lan
Especialista em estratégia, marketing e novos negócios
jonylan@mktmais.com
Fontes: DCI, Estadão


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